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Poetry

A Fera

 

Braço a braço lutamos desde sempre.

Mal o vestido de noiva despi

e agudas garras sobre nós lançou.

Por uma década de pura glória

exibi meu triunfo pela casa:

o varal embandeirado de fraldas.

De teimosa, porém, não desistiu.

Recusou-se a enxergar o olho da rua

que, fula apontei vassoura em punho.

Fez pacto com o tempo e se acampou

o parceiro paciente dizendo-lhe

quem por último ri, ri bem melhor.

Mobilizou no meio tempo dúzias

de terríveis malandras artimanhas.

Armadilhas armou, fez estratégias

trocou de nome, cara, pele e trajes

usou máscaras bárbaras e raras

e deitou-se entre nós no vão da cama

por breves e por longas temporadas

até que se apossou de vez do amado

e com a bocarra de sangue manchada

riu e gozou com a minha solidão.

 

 

Astrid Cabral

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Per Contra: The International Journal of the Arts, Literature and Ideas.